<!-- Fonte canónica: https://polimeme.com/studies/portugal-opinion-2026/resultados.md -->
<!-- Estudo: O mapa da opinião publicada em Portugal (Parte 1) -->
<!-- Autor: Paulo Querido · Observatório de Viés Noticioso · https://polimeme.com/studies/portugal-opinion-2026/ -->
<!-- Citar: Querido, Paulo (2026). *O mapa da opinião publicada em Portugal — Parte 1: os colunistas.* Observatório de Viés Noticioso, publicado em polimeme.com. -->
<!-- Licença: CC BY 4.0 — reutilização livre com atribuição -->

# Resultados agregados — a ficha de números do estudo

_Observatório de Viés Noticioso · Parte 1 (colunistas) · Paulo Querido / VamoLáVer · julho 2026_

Todos os números abaixo foram calculados sobre os 215 autores do dataset (ficheiros `batch_01.json` a `batch_10.json`) e coincidem com o texto publicado. Serve de referência rápida e verificável para qualquer pergunta quantitativa sobre o estudo.

## 1. Distribuição no espectro (215 autores)

| Campo | Nº | % |
|-------|----|----|
| Esquerda (≤ −1) | 94 | 44% |
| — dos quais centro-esquerda (−1 a −3) | 72 | |
| — dos quais esquerda (≤ −3) | 22 | |
| Centro (−1 a +1) | 22 | 10% |
| Direita (≥ +1) | 99 | 46% |
| — dos quais centro-direita (+1 a +3) | 69 | |
| — dos quais direita (≥ +3) | 30 | |

**No agregado, a opinião publicada portuguesa está praticamente equilibrada, com vantagem ligeira da direita** (46% vs. 44%). Este equilíbrio de contagem esconde uma distribuição desigual por publicação (ver §2) e uma divisão de género (ver §7).

## 2. Posição média do painel por publicação

| Publicação | Média | Mediana |
|------------|-------|---------|
| Observador | +2,8 | +2,8 |
| ECO | +2,3 | +2,8 |
| Negócios | +2,2 | +2,4 |
| Sol | +2,2 | +2,8 |
| Expresso | 0,0 | −0,5 |
| Correio da Manhã | −0,2 | −1,2 |
| JN | −0,6 | −1,2 |
| Público | −0,6 | −1,5 |
| DN | −1,0 | −1,5 |
| Visão | −1,7 | −2,5 |

**Dois modelos editoriais.** As casas de direita (Observador, imprensa económica, Sol) praticam **painéis homogéneos** — a mediana coincide com a média, sem contrapeso interno. Os generalistas de centro-esquerda (Público, DN, JN, CM) praticam **painéis de maioria com minoria audível do campo contrário** — a mediana está bem à esquerda da média (Público: média −0,6, mediana −1,5; CM: média −0,2, mediana −1,2). O **Expresso** é o único título grande exactamente ao centro (0,0), não por ter centristas mas por equilíbrio entre contrários.

Não existe um generalista de grande audiência com painel homogéneo à esquerda equivalente ao Observador na direita.

## 3. Os extremos

- Direita tem mais autores no extremo: **30 acima de +3**, contra **22 abaixo de −3**.
- Mas o polo esquerdo estende-se mais longe: os valores mais extremos do painel pertencem à esquerda — **Manuel Loff (−5,2, Público)** e **João Oliveira (−5,0)** —, enquanto o ponto mais à direita é **Diogo Pacheco de Amorim (+4,8, Chega, Sol)**.
- Os 30 autores do polo direito publicam sobretudo nas casas coesas; os 22 do polo esquerdo, dentro dos generalistas mistos.

## 4. Correlação dos eixos de valores com o eixo geral

| Eixo | r com eixo geral | Leitura |
|------|------------------|---------|
| `estado_mercado` | **+0,96** | motor principal do esquerda-direita |
| `tradicionalista_progressista` | ≈ 0,9 (módulo) | segue de perto |
| `ecologico_produtivista` | ≈ 0,9 (módulo) | segue de perto |
| `constitucional_revisionista` | ≈ 0,86 | forte |
| `elitista_populista` | **+0,08** | independente — populistas nos dois campos |
| `rural_urbano` | **+0,01** | independente |

A estrutura teórica do espaço político emergiu sozinha, sem ter sido imposta ao modelo — argumento de credibilidade do instrumento.

## 5. Retrato colectivo (médias de todo o painel, direita incluída)

- **Elitista:** confia nas elites técnicas/académicas/institucionais e desconfia das maiorias — **−1,5** (escala −3 a +3). Esquerda −1,5 e direita −1,4: indistinguíveis.
- **Globalista / europeísta:** **+1,2**.
- **Constitucionalista:** defende a Constituição e o legado de Abril — **−1,4**. Assimetria: esquerda colada ao polo da defesa de Abril (−2,5), direita apenas ligeiramente revisionista (+0,2).
- O comentador de direita típico é um **liberal-conservador europeísta que não põe em causa o quadro constitucional**.

**O populismo quase não escreve colunas.** Vale ~1/4 do eleitorado nas urnas; dos 215 autores, os que apelam ao «povo contra as elites» contam-se pelos dedos. A opinião publicada é o espaço mediático onde o eleitorado anti-establishment está menos representado.

## 6. Declinismo e temperatura retórica

- **197 dos 215 autores (92%) escrevem em registo declinista.** Média do painel: **−1,49**. Apenas 18 escrevem em registo predominantemente optimista.
- O declinismo é mais intenso nos extremos: direita radical −2,3, esquerda −1,9, centro −1,3 (mas até o centro é declinista).
- **Carga lexical:** 134 autores de retórica intensa, 80 moderada, **1** neutro. Os de retórica intensa estão em média mais longe do centro (distância média 2,7) do que os moderados (1,7).

## 7. Mecanismos de viés textual

Os **quatro grandes** são praticamente universais e sem cor política (posição média ≈ centro):

| Mecanismo | Nº autores | % | Posição média |
|-----------|-----------|----|---------------|
| Escolha de palavras carregadas | 209 | 97% | centro |
| Spin | 169 | | centro |
| Enquadramento selectivo | 136 | | centro |
| Viés de negatividade | 134 | | centro |

Os **minoritários** têm assinatura de campo:

| Mecanismo | Nº autores | Posição média |
|-----------|-----------|---------------|
| Omissão selectiva de contexto | 32 | **+1,6** (direita) |
| Falsa equivalência | 12 | **+1,9** (direita) |
| Ataque pessoal | 4 | **−2,0** (esquerda) |

Os vícios retóricos de toda a gente são de toda a gente; os vícios de nicho têm nicho. (Amostras pequenas nos minoritários, registadas com prudência.)

## 8. Agenda: de que fala o comentariado

Temas centrais, % de autores em que são dominantes:

1. A própria democracia (populismo, extrema-direita, instituições) — **63%**
2. Europa e geopolítica — **56%**
3. Sistema político-partidário — **48%**
4. Trabalho e leis laborais — 37%
5. Imigração — 36%
6. Economia e finanças públicas — 33%
7. Estado e administração — 26%
8. Habitação — 26%
9. SNS — 24%
10. Tecnologia e IA — 21%
11. Ambiente e clima — **12%**
12. Guerra cultural (identidade, género, costumes) — **10%**

A opinião publicada portuguesa fala sobretudo de **política sobre política**: o grande assunto é o estado da própria democracia, muito mais do que qualquer política pública concreta.

## 9. Quem o comentariado elogia e quem ataca

- **António José Seguro — maior consenso do painel.** 84 autores (39%) tratam-no favoravelmente, de todo o espectro (posição média de quem o elogia: −0,2, o centro exacto). Críticos: apenas 6, na direita dura (média +3,9).
- **Chega — alvo mais partilhado.** 146 autores (68%) criticam-no; a crítica não é de esquerda (posição média dos críticos: −0,5, o crítico típico é centrista). Favoráveis: 19. O cordão sanitário desfez-se no plano partidário mas mantém-se no comentariado.
- **Luís Montenegro — figura mais dividida.** 47 favoráveis (média +2,4), 78 críticos (média −1,3): divisão à risca da linha partidária.
- **Marcelo Rebelo de Sousa — crítica mudou de campo.** Hoje criticado sobretudo pela direita: 31 críticos (média +1,4) contra 13 apoiantes.
- Outros: sindicatos são o actor que melhor separa os campos (favoráveis média −2,7, críticos +2,4); Passos Coelho regressou como referência positiva da direita (35 menções favoráveis); Sócrates continua alvo preferencial do centro-direita; o Bloco atrai mais crítica liberal do que o PCP.

## 10. Desequilíbrio de género

- **166 homens, 49 mulheres** — 77% vs. 23%. Por cada mulher com coluna regular de política há mais de três homens.
- Distribui-se de forma desigual pelas casas: mulheres chegam a 31% no Público e 26% no DN, mas descem para 9% na Sábado e 6% no Negócios. **Quanto mais à direita o painel, menos mulheres.**
- **As mulheres inclinam-se à esquerda:** 67% à esquerda, 24% à direita. Nos homens é quase o inverso: 52% à direita, 37% à esquerda.
- Posição média: **mulher −1,0, homem +0,4.** O equilíbrio agregado assenta sobre uma divisão de género — a direita da opinião publicada é escrita quase só por homens.

## 11. Confiança das classificações

- **Alta: 171 · Média: 43 · Baixa: 1** (assinalada como tal).
